Não é com frequência que sinto esse tipo de coisa, que ultimamente venho chamando de preguiça existêncial. É quase como uma perda de motivação, ou a perda de fé na existência, ou o questionamento excessivo. É mais ou menos o que estou sentindo nessas 17 horas e 40 minutos de uma miserável segunda-feira; eu sei que eu vou entrar num ônibus, depois em outro e outro, vou para a faculdade, mas no percurso, vou encontrar várias pessoas, todas que eu julgo de mesma face. Veja bem, sou só mais um de 20 anos no meio de toda essa gente, mas já se tornou clichê o bastante até pra mim essa gente conversando sobre o maldito jogo de futebol, a porcaria da novela e sobre algum modelo de carro. Só essa parte sobre as pessoas seria um assunto, mas vou deixar isso pra lá, dessa vez. Nesse momento faço um mapa mental do dia: "Me arrumar, subir no ônibus, entrar na faculdade, fumar um cigarro, 2 aulas, intervalo, cigarro, café, cigarro, volta pra 2 aulas, fim de aula, ônibus, casa." Tudo a mesma coisa, é claro que eu vou julgando as pessoas no processo, mas não quer dizer que eu não tente achar algo bom, eu não sou tão ignorante assim. Eu tenho essa parte otimista de "dar uma chance" para ver algo bom nas pessoas, acho que pode ser até uma defesa para mim, pois não quero acreditar que todo mundo é tão perdido assim. Não que eu seja bom demais e que todos tenham que seguir um padrão que eu aceite, longe disso, por favor.
E ainda posso botar na lista, questões políticas e junto com isso, as sociais. As vezes (eu acho que isso deve ser um problema, sim eu tô desabafando) eu acho que "todo mundo" (em itálico e aspas pra vocês) é idiota demais, não que eu seja inteligente, é por serem idiotas mesmo. Parece que a cada coisa que acontece, cada ação tomada, ou palavra dita, o imbecil não pensa por 10 segundos pra dizer. Tá todo mundo preocupado demais em besteiras, e eu não to sabendo nem como prosseguir esse texto por tamanha frustração. Mas eu queria realmente poder fazer alguma coisa, tem tantas coisas graves que poderiam ser solucionadas só pensando um pouco, só se mexendo um pouco; mas parece que todo mundo se sente melhor pesando em sí, e deixando nas mãos de outras pessoas que não se importam, pra não solucionar algo. Com isso eu já to entrando em discurso político, e já passei horas a finco conversando com um amigo de faculdade, ambos ficamos frustrados, e a solução seria algo desastroso. Se eu começar a falar demais nisso vou entrar em algum tipo de discurso idealista. E é aí que a coisa trava, minha falta de fé nas pessoas, e um processo ideal que depende das pessoas. Mergulho em frustração. Isso fica mais evidente (pra mim) quando insisto em procurar algo na televisão (principalmente no domingo), assuntos furados, quando é algo interessante é sem profundidade, programas cheio de bundas enormes e corpos plásticos, exploração da desgraça alheia, algum caso banal sem importância sendo o centro das atenções.
Enfim, o mundo acabou.
O Lado ranzinza, Owen.
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